Blog do Josias - Serra articula fim da reeleição para presidente
04/12/2005 http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/
Serra articula fim da reeleição para presidente
Depois de alinhavar um acordo com o PFL para disputar as eleições presidenciais de 2006, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), prepara um segundo movimento: quer que o tucanato patrocine no Congresso uma emenda constitucional prevendo o fim do estatuto da reeleição. Defende que o próximo presidente tenha cinco anos de mandato, sem direito a disputar uma segunda eleição consecutiva.
A proposta de Serra está impregnada de segundas intenções. A tese embute o desejo de atrair para sua candidatura o apoio de Aécio Neves, isolando Geraldo Alckmin no PSDB. Os governadores Aécio (Minas) e Alckmin (São Paulo) disputam com Serra o direito de concorrer à sucessão de Lula pela legenda tucana.
Bem-posto nas pesquisas eleitorais realizadas em seu Estado, Aécio é visto como virtual governador reeleito de Minas. Ainda assim, ele se insinua também na esfera federal. Diz que seu nome não pode ser retirado da lista de presidenciáveis do PSDB.
Ao advogar o fim da reeleição, Serra sinaliza para Aécio o propósito de cumprir apenas um mandato de presidente caso venha a ser eleito. Abrir-se-ia o caminho para que Aécio disputasse a presidência da República ao término de seu segundo mandato no Palácio da Liberdade, como é chamada a sede do governo mineiro.
Em vez de esperar por mais oito anos, o prazo de mais dois mandatos, Aécio poderia concorrer já na sucessão do próximo presidente. Que, na cabeça de Serra, será em 2011 caso prevaleça a tese de que o sucessor de Lula deve ter cinco anos de mandato, em vez dos quatro previstos atualmente na Constituição.
O blog conversou com dois interlocutores de Serra, um do PFL e outro do próprio PSDB. Ambos disseram que o prefeito está preocupado em afastar de sua proposta qualquer tipo de associação golpista. Ele enfatiza que a idéia de pôr fim à reeleição não afetaria o “direito adquirido” de Lula a disputar um segundo mandato. Valeria apenas para os próximos presidentes.
Em suas articulações, Serra manifesta o desejo de atrair o próprio PT para a sua idéia. Lembra que Lula vem se posicionando contra a reeleição. O presidente também defende que o mandato seja de cinco anos.
O princípio da reeleição foi inscrito no texto constitucional, graças a uma emenda patrocinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, tucano como Serra. Na época, Lula foi contra.
A emenda foi aprovada no Congresso em meio a uma atmosfera de forte suspeição. Em gravações publicadas pela Folha em maio de 97, dois deputados –Ronivon Santiago e João Maia- admitiram ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da reeleição.
Nas gravações, Santiago e Maia diziam que outros três deputados -Chicão Brígido, Osmir Lima e Zilá Bezerra- também haviam recebido dinheiro em troca de seus votos. Os deputados são todos do Acre.
Do ponto de vista jornalistico a matéria me soa adequada. Mostra como estão ocorrendo as articulações para tal projeto e como os diferentes atores políticos se posicionaram no passado. O que soa com estranhesa é o tom impessoal que Josias coloca em sua matéria, tom este que abandona completamente ao fazer o mesmo tipo de matéria sobre o PT ou o Governo. Para alguns pode parecer pleunasmo, mas neste caso parece que Josias demosntra seu conflito entre o Jornalista e o militante. "O pau que bate em Chico bate em Francisco..." já dizia o ditado.
No mais, cabe lembrar que Serra foi um dos apoiadores da emenda da reeleição ( com todas as suas "polêmicas", como muito bem apontou Josias de forma impessoal ao final do post). Querer burlá-la agora soa realmente golpe, não contra Lula, mas contra a coerência. Mas imagino Serra pensando com seus botões: " Se o PT fez, pq não posso?". Golpes contra a coerência estão em alta no País... o PT e a política economica, PFL e FHC fazendo discurso contra os altos juros, Serra querendo acabar com a reeleição e se candidatando à presidente sendo que assinou um documento se compromentendo a não faze-lo... mas nisso tudo reside algo positivo para o País: A alternância de poder entre situação e oposição fazem com que todos experimentem os dois lados da moeda. Cabem algumas últimas perguntas: Por que todo Governo no Brasil é conservador e toda oposição se veste de progressista? Será que não temos mais espaço para um governo progressista? O que seria um governo progressista no Brasil do Século XXI? Perguntas, perguntas...
Serra articula fim da reeleição para presidente
Depois de alinhavar um acordo com o PFL para disputar as eleições presidenciais de 2006, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), prepara um segundo movimento: quer que o tucanato patrocine no Congresso uma emenda constitucional prevendo o fim do estatuto da reeleição. Defende que o próximo presidente tenha cinco anos de mandato, sem direito a disputar uma segunda eleição consecutiva.
A proposta de Serra está impregnada de segundas intenções. A tese embute o desejo de atrair para sua candidatura o apoio de Aécio Neves, isolando Geraldo Alckmin no PSDB. Os governadores Aécio (Minas) e Alckmin (São Paulo) disputam com Serra o direito de concorrer à sucessão de Lula pela legenda tucana.
Bem-posto nas pesquisas eleitorais realizadas em seu Estado, Aécio é visto como virtual governador reeleito de Minas. Ainda assim, ele se insinua também na esfera federal. Diz que seu nome não pode ser retirado da lista de presidenciáveis do PSDB.
Ao advogar o fim da reeleição, Serra sinaliza para Aécio o propósito de cumprir apenas um mandato de presidente caso venha a ser eleito. Abrir-se-ia o caminho para que Aécio disputasse a presidência da República ao término de seu segundo mandato no Palácio da Liberdade, como é chamada a sede do governo mineiro.
Em vez de esperar por mais oito anos, o prazo de mais dois mandatos, Aécio poderia concorrer já na sucessão do próximo presidente. Que, na cabeça de Serra, será em 2011 caso prevaleça a tese de que o sucessor de Lula deve ter cinco anos de mandato, em vez dos quatro previstos atualmente na Constituição.
O blog conversou com dois interlocutores de Serra, um do PFL e outro do próprio PSDB. Ambos disseram que o prefeito está preocupado em afastar de sua proposta qualquer tipo de associação golpista. Ele enfatiza que a idéia de pôr fim à reeleição não afetaria o “direito adquirido” de Lula a disputar um segundo mandato. Valeria apenas para os próximos presidentes.
Em suas articulações, Serra manifesta o desejo de atrair o próprio PT para a sua idéia. Lembra que Lula vem se posicionando contra a reeleição. O presidente também defende que o mandato seja de cinco anos.
O princípio da reeleição foi inscrito no texto constitucional, graças a uma emenda patrocinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, tucano como Serra. Na época, Lula foi contra.
A emenda foi aprovada no Congresso em meio a uma atmosfera de forte suspeição. Em gravações publicadas pela Folha em maio de 97, dois deputados –Ronivon Santiago e João Maia- admitiram ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da reeleição.
Nas gravações, Santiago e Maia diziam que outros três deputados -Chicão Brígido, Osmir Lima e Zilá Bezerra- também haviam recebido dinheiro em troca de seus votos. Os deputados são todos do Acre.
Do ponto de vista jornalistico a matéria me soa adequada. Mostra como estão ocorrendo as articulações para tal projeto e como os diferentes atores políticos se posicionaram no passado. O que soa com estranhesa é o tom impessoal que Josias coloca em sua matéria, tom este que abandona completamente ao fazer o mesmo tipo de matéria sobre o PT ou o Governo. Para alguns pode parecer pleunasmo, mas neste caso parece que Josias demosntra seu conflito entre o Jornalista e o militante. "O pau que bate em Chico bate em Francisco..." já dizia o ditado.
No mais, cabe lembrar que Serra foi um dos apoiadores da emenda da reeleição ( com todas as suas "polêmicas", como muito bem apontou Josias de forma impessoal ao final do post). Querer burlá-la agora soa realmente golpe, não contra Lula, mas contra a coerência. Mas imagino Serra pensando com seus botões: " Se o PT fez, pq não posso?". Golpes contra a coerência estão em alta no País... o PT e a política economica, PFL e FHC fazendo discurso contra os altos juros, Serra querendo acabar com a reeleição e se candidatando à presidente sendo que assinou um documento se compromentendo a não faze-lo... mas nisso tudo reside algo positivo para o País: A alternância de poder entre situação e oposição fazem com que todos experimentem os dois lados da moeda. Cabem algumas últimas perguntas: Por que todo Governo no Brasil é conservador e toda oposição se veste de progressista? Será que não temos mais espaço para um governo progressista? O que seria um governo progressista no Brasil do Século XXI? Perguntas, perguntas...

2 Comments:
phPeando
GuilMello, no minha visão acho que o texto de Josias transpareceu a informação, até pela afirmação de que isso era um desejo do nosso Presidente.
Concordo com vc phPeando! A única coisa que critiquei é que tem vezes que ele transparece a informação e outras em que ele opina, alterando o tom da informação. Se todas as noticias fossem nesse teor seria ótimo, mas olha lá em cima o post dele sobre o Delubio... não digo que a opinião esteja errada, mas se opinou lá pq não opinar aki? Foi só isso que eu coloquei. No mais tbm gostei da matéria.
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